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Publicado em: 13/03/2018 às 13h54

Saiba as novidades sobre congelamento de óvulos

Especialista em reprodução humana explica o passo a passo do procedimento e quais as novidades do assunto


MARIE CLAIRE

Foto: Foto: Think Stock

A cada dia cresce a procura por congelamento de óvulos. Você sabe exatamente como funciona, quanto custa, o que a paciente deve fazer? Giuliano Bedoschi, especialista em reprodução humana, explica tudo!

 

Novidades sobre congelamentos de óvulos: A principal está relacionada à técnica usada para congelar os óvulos. Basicamente, existem duas técnicas: congelamento lento e vitrificação. Na técnica de congelamento lento, a temperatura do óvulo é reduzida gradualmente e, gradativamente, concentrações maiores de substâncias crioprotetoras são adicionadas para congelar o óvulo. Na vitrificação, o processo é menos demorado, reduzindo rapidamente a temperatura do óvulo, com altas doses de substâncias crioprotetoras.


A sobrevivência dos óvulos após o descongelamento aumentou muito. O óvulo é a maior célula do corpo humano. Como tem muita molécula de água dentro dessa célula, se o congelamento for falho, formam-se cristais de gelo. A vitrificação tem melhores resultados quando comparada à técnica de congelamento lento porque consegue evitar a formação desses cristais. Consequentemente, os óvulos ganham sobrevida maior e a paciente consegue aproveitá-los em maior número. Com a vitrificação, a sobrevivência dos óvulos é de 80% a 90%.

 

Outras novidades: como a técnica de vitrificação é usada no mundo inteiro, alcançando milhares de resultados positivos, é possível saber, aproximadamente, qual é o número de óvulos que a mulher precisa congelar para ter uma alta taxa de sucesso no futuro. O principal fator que influencia o número de óvulos que devem ser congelados é a idade. Mulheres mais novas podem ter boas chances de gravidez congelando poucos óvulos, algo em torno de 10. Já as mulheres com mais de 35 anos devem congelar algo em torno de 20 óvulos para ter as mesmas chances de sucesso. Isso é devido à qualidade dos óvulos, que acompanha a idade da mulher.  Isso tem ajudado bastante na orientação das pacientes. Dependendo do resultado, podemos orientá-la sobre a necessidade de realizar mais de um procedimento para congelar as células, com base na reserva ovariana da paciente.

 

Passo a passo do congelamento: primeiro, ocorre o estímulo ovariano. Naturalmente, o cérebro libera alguns hormônios que selecionam o crescimento de apenas um folículo, que libera um óvulo durante a ovulação. No congelamento de óvulos, o objetivo é fazer um hiperestímulo ovariano, fazendo com que tenha o crescimento de múltiplos folículos. Dentro de cada folículo pode existir um óvulo. Os folículos crescem até determinado estágio e, antes de romperem para a ovulação ocorrer, há a coleta dos óvulos. Nessa coleta, a paciente é anestesiada para que seja feita a aspiração dos folículos que desenvolveram com o estímulo ovariano. Nesse procedimento são avaliados quais óvulos estão em estágio adequado para o congelamento, que ocorre no mesmo dia, em nitrogênio líquido.

 

Quem toma pílula: é necessário suspender a medicação durante o processo porque é um medicamento que impede a ovulação. Em alguns casos, o que pode ser feito, é a utilização da pílula para uma programação do ciclo de tratamento, principalmente quem mora em outra cidade ou estado, ou pretende realizar o tratamento em um período específico do ano. Durante o tratamento não pode usar a pílula anticoncepcional.

 

Quem deve congelar: quatro tipos de pacientes devem ficar alertas. Mulheres com mais de 35 anos, sem perspectiva de engravidar, devem buscar o congelamento porque, conforme a idade vai passando, cada óvulo liberado terá queda na qualidade para formar um embrião com bom potencial para formar a gravidez. Mulheres com histórico de menopausa precoce na família, antes dos 40 anos, devem pensar no congelamento de óvulos como opção para gravidez futura. Isso porque existe um componente genético que pode aumentar o risco de entrar em menopausa precoce. Mulheres que têm uma doença, sistêmica ou dos órgãos ginecológicos, como endometriose, que possam causar redução da reserva ovariana. Um cisto de endometriose no ovário pode afetar, negativamente, a quantidade de óvulos. Quimioterapia também pode impactar de forma negativa a quantidade de óvulos. Dessa forma, é importante pensar em congelar as células antes de iniciar o tratamento quimioterápico. Por fim, mulheres com diagnóstico de baixa reserva ovariana também devem pensar em congelar óvulos. O teste de reserva ovariana é feito por dosagem de hormônio, como o antimülleriano, ou contagem de folículos antrais no ultrassom transvaginal.

 

Quem não pode congelar: Mulheres com doenças em estágio crítico e sem condições adequadas de saúde. Pacientes que têm contraindicação para uso de hormônios, por exemplo, gravidez ou câncer que tem interação com hormônio. Para este último, é necessário avaliar caso a caso.

 

Valores: Os custos são referentes ao processo de congelamento de óvulos e medicamentos para estímulo ovariano. Aproximadamente, R$ 15 mil. Há, também, o custo de manutenção dos óvulos congelados, que é de, aproximadamente, R$ 1.500 ao