Com casos de variante delta em análise, dispensar uso de máscaras ainda é incerto em MS

Mesmo com risco da nova variante, Prosseguir flexibilizou e liberou todas as atividades no Estado


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Mesmo com 56% da população vacinada, medidas como uso de máscaras continuam obrigatórias em MS. - Marcos Ermínio/Midiamax
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A circulação da variante delta tem preocupado diversos países no mundo, inclusive aqueles que já haviam dispensado o uso das máscaras. Nesta semana, autoridades dos Estados Unidos voltaram atrás e recomendaram o uso da proteção em locais fechados, mesmo para imunizados. Enquanto isso, Mato Grosso do Sul iniciou flexibilizações e todas as atividades econômicas podem funcionar. A SES (Secretaria de Estado de Saúde) afirma que já foram feitas análises de amostras para a variante delta, mas nenhum caso foi confirmado até então. Enquanto isso, a medida de dispensar o uso de máscaras ainda é incerta no Estado.

Nesta semana, o CDC (Centro de Controle de Doenças) voltou atrás e recomendou que as pessoas vacinadas voltem a usar máscaras em locais fechados nos Estados Unidos. A medida foi tomada por conta da variante delta, que é considerada mais contagiosa e tem infectado os jovens. 

Durante as lives, a SES tem reforçado que os países que já estão mais avançados na vacinação servem de exemplo para Mato Grosso do Sul. O secretário estadual de saúde Geraldo Resende afirma que observa a adoção de medidas contra o coronavírus em todo o mundo e também em outros estados do Brasil. 

“A gente fica observando para ver o resultado, é muito cedo. Aqui em Mato Grosso do Sul, temos recomendado a continuidade das medidas do enfrentamento da covid, ainda não vamos nos abster delas: isolamento social, uso de máscaras, manter as regras de higiene e, por outro lado, fazer com que avance o processo de imunização', ressaltou.

O titular da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) de Campo Grande, José Mauro Filho, explica que embora os Estados Unidos tenham um volume maior de vacinados, se comparar proporcionalmente, a diferença para Campo Grande não é tão grande. Conforme a plataforma Our World in Data, 49,8% da população está completamente imunizada nos EUA. Em Campo Grande, 43,3% da população adulta tem o ciclo vacinal completo, segundo o Vacinômetro. 

Para o secretário municipal, é natural que as flexibilizações sejam feitas neste momento, considerando a taxa de óbitos e internações. Por outro lado, ele reforçou preocupação com a variante delta. “O que nos preocupa são essas variantes. Agora está sendo discutida a vacinação heteróloga, quando você toma uma dose de uma marca e a segunda dose de outra. A questão da terceira dose também está em pauta', disse.

Resende comenta que, quanto mais pessoas imunizadas, mais cedo o estado poderá voltar à normalidade. A vacinação também evita o surgimento de novas mutações do vírus, mas o secretário reforça que os casos da variante delta em estados vizinhos geram preocupação. 

“Temos feito sequenciamento, até agora não tem comprovação que ela [variante delta] esteja aqui no Mato Grosso do Sul, mesmo que especialistas apontem que possa estar presente. Estamos encaminhando, quando surgir resultado dessas amostras de sequenciamento, vamos divulgar. Não temos até agora a comprovação laboratorial da presença da variante delta', disse o titular da SES.

Em nota, a SES explica que o Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública) realizou parceria com a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) para o sequenciamento genômico das amostras de testes positivos de Covid-19. 'O Lacen/MS também envia amostras para o Instituto Adolfo Lutz para monitoramento de novas cepas, controle de qualidade e investigar possíveis casos de re-infecção sinalizadas pela Vigilância Epidemiológica'.

Por enquanto, o futuro do uso de máscaras é incerto. Mesmo com 56,2% da população geral vacinada com pelo menos uma dose, ainda não há previsão de dispensar o uso de máscaras. O secretário estadual de saúde frisa que as máscaras só serão dispensadas após a imunidade de rebanho e depois que um comitê de especialistas aprove a medida. 

“Queremos avançar na imunização, atingir imunidade de rebanho em agosto. Que chegue próximo dos 80% de imunização, com a primeira e segunda dose. Basta ter vacina, há compromisso dos municípios de fazer com que isso aconteça', conclui.

Já José Mauro Filho comentou que é preciso fazer debates sobre o assunto. “Temos que fazer debates e ter leis autorizativas para caminhar nesse sentido, mas sem o encaminhamento do Governo Federal, não tem força para evoluir. A França emitiu uma lei obrigando que estabelecimentos com mais de 50 pessoas sejam exclusivos para uso de vacinados'.

As autoridades de saúde têm demonstrado preocupação com a variante delta, que já está presente em estados vizinhos. A determinação de lockdown na cidade de Chapadão do Sul, na última semana, chamou a atenção para o aumento de casos nos municípios de divisa. A variante delta começa a cercar MS e já está presente nos estados vizinhos, como Goiás, São Paulo e Paraná. 

Mesmo assim, o Prosseguir fez flexibilizações nesta semana, quando todas as atividades econômicas foram liberadas. O Programa deixou de utilizar o termo ‘serviço essencial’ para definir os estabelecimentos que são prioridades durante a pandemia em Mato Grosso do Sul. Agora, todas as atividades econômicas estão liberadas e somente os estabelecimentos com atividades propícias para aglomeração terão restrição na ocupação. Bares, casas de festas e tabacarias estão na lista. 

A maioria das cidades está com a classificação de risco alto na pandemia. Ao todo, 38 cidades foram classificadas com a bandeira vermelha e 31 cidades têm a bandeira laranja, de risco médio. Somente 10 municípios receberam a bandeira amarela do Prosseguir, com classificação de risco tolerável. MS não tem cidades com a bandeira verde (risco baixo) ou cinza (grau extremo). 

O Estado tem apresentado melhora nos indicativos da pandemia, mas o cenário pode mudar completamente com a chegada da variante delta. Em entrevista ao Jornal Midiamax, o médico infectologista e pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Julio Croda, disse que há  preocupação com a variante delta. A variante é, pelo menos, 2 vezes mais transmissível do que a P1 (Gama) e, consequentemente, mais letal.

'Se a variante [Delta] se tornar predominante [pode ter aumento de casos], pois não temos a cobertura vacinal alta, em torno de 70% a 90% [com as duas doses]. Somente com a cobertura de vacinados alta que vamos ter tranquilidade para enfrentar a nova variante', observou.




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