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Pesquisa aponta dificuldade de escolas públicas em enfrentar violências como bullying e racismo
Levantamento da Fundação Carlos Chagas e MEC mostra que maioria dos gestores enfrenta desafios para dialogar sobre violência no ambiente escolar
JORNAL DA NOVA
Sete em cada dez gestores de escolas públicas brasileiras afirmam ter dificuldade para discutir temas ligados ao enfrentamento das violências no ambiente escolar, como bullying, racismo e capacitismo. O dado faz parte de uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (6) pela Fundação Carlos Chagas (FCC), em parceria com o Ministério da Educação (MEC).
O levantamento ouviu 136 gestores de 105 escolas públicas, sendo 59 municipais e 46 estaduais. Segundo a pesquisa, 71,7% dos entrevistados consideram difícil promover diálogos sobre situações de violência dentro das unidades de ensino.
De acordo com o coordenador do estudo, Adriano Moro, do Departamento de Pesquisas Educacionais da FCC, um dos principais problemas é a naturalização de comportamentos violentos no ambiente escolar.
Em entrevista à Agência Brasil, ele destacou que, em muitos casos, agressões são tratadas como “brincadeiras”, o que acaba minimizando situações graves e dificultando intervenções adequadas por parte da escola.
Outro ponto observado é o uso genérico do termo bullying para diferentes formas de violência. Segundo Moro, isso pode esconder casos específicos de racismo, xenofobia, violência de gênero e preconceito contra pessoas com deficiência.
A pesquisa também revelou outros desafios enfrentados pelas escolas:
67,9% dos gestores relataram dificuldades na aproximação entre escola, famílias e comunidade;
64,1% apontaram problemas nos relacionamentos entre estudantes;
60,3% citaram dificuldades para desenvolver o sentimento de pertencimento dos alunos;
60,3% mencionaram entraves na relação entre estudantes e professores;
49% afirmaram enfrentar desafios relacionados à promoção da segurança entre os alunos.
O levantamento mostrou ainda que 54,8% das escolas nunca realizaram um diagnóstico estruturado do clima escolar, considerado pelos pesquisadores uma etapa essencial para orientar políticas de convivência e aprendizagem.
Apesar disso, 67,6% das unidades de ensino possuem equipes responsáveis por ações voltadas à melhoria do clima escolar. Nas demais, a responsabilidade fica diretamente com a gestão da escola.
Segundo Adriano Moro, a sobrecarga de trabalho dos profissionais da educação também interfere no desenvolvimento de ações preventivas.
“A gestão escolar costuma lidar com muitas urgências ao mesmo tempo”, afirmou o pesquisador, ressaltando que isso faz com que as equipes atuem mais na resolução de problemas imediatos do que na prevenção planejada das violências.
A pesquisa também destaca a relação entre clima escolar positivo e desempenho pedagógico. Para o coordenador do estudo, ambientes acolhedores e respeitosos favorecem a aprendizagem e o desenvolvimento dos estudantes.
O levantamento foi realizado entre março e julho de 2025 em escolas localizadas nos estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Sergipe e São Paulo.
A divulgação da pesquisa ocorre na mesma semana em que o governo federal recriou um grupo de trabalho para subsidiar políticas de combate ao bullying e ao preconceito na educação. O grupo terá prazo inicial de 120 dias para apresentar propostas e conclusões.










