Alems pagou R$ 44 milhões: mais de R$ 120 mil por cada vaga nova em estacionamento

Contrato com empreiteira ganhou aditivo de R$ 10 milhões de Gerson Claro


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MIDIAMAX

Estacionamento da Alems foi inaugurado em solenidade. (Marcos Ermínio, Jornal Midiamax)
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Inaugurado nesta quarta-feira (20) em evento solene proposto pelo presidente da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), deputado Gerson Claro (PP), o estacionamento da Casa custou R$ 44.417.315,38 em recursos públicos.

 

O contrato original, assinado em 8 de março de 2024, previa o valor de R$ 34.392.002,20. No entanto, três aditivos empenhados no decorrer da obra fizeram o serviço ficar R$ 10 milhões mais caro — um reajuste de 29%.

 

Conforme o Portal da Transparência da Alems, o primeiro aditivo foi de R$ 1.957.445,65; o segundo incrementou mais R$ 1.440.625,57; e, por fim, o terceiro aditivo deixou a obra R$ 6.627.241,96 mais cara. A soma dos valores extras destinados ao contrato é de R$ 10.025.313,18.

 

Os dados públicos disponibilizados pela Alems mostram que R$ 44 milhões já estão empenhados, ou seja, bloqueados para garantir os pagamentos. Desse total, R$ 42 milhões constam como liquidados (confirmados) e R$ 40.027.050,93 já foram pagos à Concrelaje.

 

Gerson Claro informa valores equivocados

Documentos públicos oficiais da Alems mostram o valor original da obra e o valor empenhado. (Reprodução, Portal Transparência, Alems)

Mais de R$ 120 mil por vaga


O estacionamento já contava com 250 vagas e, agora, terá 600. Com o valor total do contrato, cada nova vaga custou mais de R$ 120 mil aos cofres públicos.

 

Durante a solenidade, Gerson Claro disse ao Jornal Midiamax que o valor contratado havia sido de R$ 38 milhões, apesar de o contrato informar R$ 34 milhões, conforme consta na documentação oficial disponibilizada pela Alems.

 

“O valor contratado foi R$ 38 milhões. O valor da obra, quando terminar, nós vamos anunciar, porque tem alguns detalhes ainda que têm pagamento a ser feito”, disse Claro.


 

Outro dado informado erroneamente por Claro é que o limite de 25% em aditivos seria cumprido. “O aditivo possível, de 25%, vai ser isso e vai ser cumprido. Eu tenho que anunciar o valor que foi contratado, porque eu não terminei. Tem detalhes da obra ainda por encerrar”, declarou, sem informar mais detalhes.

 

Posteriormente, confrontado pela reportagem, o presidente disse: “A 1ª Secretaria é responsável pela obra e pela execução do orçamento”.

 

O Jornal Midiamax fez os questionamentos ao deputado Paulo Corrêa, 1º secretário do Legislativo, que, por sua vez, pediu para contatar a Secretaria de Infraestrutura.

 

O setor explicou que não houve aumento de 29% e sim apenas 22,1% de aditivos (R$7.611.913,06) e 7% referentes aos reajustes anuais previstos no contrato. Além disso, afirmou que não há estimativa de mais pagamentos.

 

A reportagem também procurou a assessoria de comunicação da Alems para explicar os acréscimos no valor da obra. O espaço segue aberto para posicionamentos.

 

Obra faraônica de R$ 102 milhões

Estacionamento de R$ 44 milhões à esquerda, ao lado do projeto do novo plenário, de R$ 102 milhões, da Alems. (Divulgação, Alems)

A construção faz parte de projeto faraônico anunciado em março por Gerson Claro, que o classificou como “um sonho”.

 

A obra do plenário custará R$ 102.434.406,83 e é executada pelo Consórcio Novo Plenário, que já executou pouco mais de 3% da obra. Fazem parte do consórcio as empresas: Paulitec Construções Ltda. (CNPJ 49.437.809/0001-74), como líder do consórcio, e Tecnoedil S.A. Constructora (CNPJ 60.850.845/0001-06) — do Brasil e do Paraguai, respectivamente.

 

Conforme documentos do processo da Concorrência nº 02/2025, um novo plenário e bloco administrativo de apoio compõem a nova obra do Legislativo. São aproximadamente 11.392 m² de área construída, sendo 6.165,11 m² destinados ao edifício principal e 5.216,95 m² aos estacionamentos subterrâneos.

 

Além disso, a nova edificação terá estrutura mista de aço com steel deck, distribuída em múltiplos pavimentos. Então, haverá organização para otimizar os fluxos operacionais e a funcionalidade dos espaços legislativos.

 

O projeto também contempla ambientes para uso técnico. Assim, estão inclusos: o novo plenário principal, com galerias públicas, salas técnicas de som e transmissão, estúdios, sanitários acessíveis, áreas de apoio à Mesa Diretora, além das secretarias das Comissões Permanentes, com setores administrativos e áreas técnicas devidamente dimensionados.


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