Fisioterapeuta morta em casa teria desabafado com amiga sobre agressão

Médico cardiologista, esposo da vítima, foi preso por fraude processual, mas ganhou a liberdade


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MIDIAMAX

Fabiola Marcotti era fisioterapeuta em Campo Grande e tinha 51 anos. (Reprodução, Crefito13)
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A fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, teria desabafado com uma amiga sobre ter sido violentada. Ela foi encontrada morta com um tiro na região da cabeça no dia 18 de maio na residência localizada na Chácara dos Poderes, em Campo Grande, onde morava com o companheiro, o médico cardiologista João Jazbik.

 

À polícia, o médico alegou que a vítima teria tirado a vida. Entretanto, o delegado Leandro Santiago, da 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), explicou que a versão não condiz com o ferimento encontrado no corpo da fisioterapeuta.

 

O cardiologista, o ex-funcionário e um caseiro foram presos em flagrante por fraude processual. O médico teria pedido que os dois movessem um armário com várias armas para outro cômodo do imóvel, antes da chegada da polícia. Dias depois, ele ganhou a liberdade provisória.

 

Desabafo com amiga
Conforme informações obtidas, a fisioterapeuta teria desabafado com uma amiga sobre ser agredida. O visto por último do WhatsApp, inclusive, teria sido cerca de dez minutos após a polícia ser acionada para o imóvel naquela segunda-feira (18).

 

Na última sexta (22), relatos de amigas que conviviam com a fisioterapeuta reforçaram suspeitas sobre a morte da mulher. De acordo com fontes próximas da vítima ouvidas pela reportagem, o médico era extremamente possessivo com a companheira.

 

O cardiologista foi descrito como “metido a valentão” pelas pessoas próximas da fisioterapeuta. “Ele não permitia que ela conversasse nem com os empregados da casa; o caseiro precisava ficar trancado enquanto ela ia para a piscina”, contou.

 

As investigações sobre a morte de Fabiola estão em absoluto sigilo. Na última quarta (27), a defesa da vítima pontuou que acredita que o caso trata-se de feminicídio. Para a defesa, a tese de suicídio é uma “fantasia arquitetada”.

Equipe da Polícia Militar durante vistoria na chácara no dia 18. (Foto: Marcos Erminio, Midiamax)

 

 

Relembre o caso
No fim da manhã de segunda-feira (18), a PM (Polícia Militar) foi acionada por uma suspeita de suicídio. Ao chegarem ao local, os militares encontraram o marido da vítima e equipes do Corpo de Bombeiros, que já haviam constatado o óbito.

 

Aos policiais, o médico disse que a esposa fez atividades de rotina matinal e, em determinado momento, foi para o andar superior da casa, onde está o quarto do casal.

 

Na ocasião, o médico contou ter estranhado a demora de Fabiola e decidiu subir para verificar a situação. Quando subiu, alegou ter encontrado a porta do quarto fechada. Ele bateu à porta, mas não foi respondido.

 

Em seguida, o cardiologista desceu até a cozinha e ligou para Fabiola, mas ela não atendeu. Pouco tempo depois, ele disse ter ouvido um disparo de arma de fogo e retornou ao andar superior, momento em que viu a porta do quarto aberta e a companheira caída ao chão. Ele não soube precisar o horário exato.

 

Segundo o registro policial, o médico acionou seu ex-caseiro, que chegou ao imóvel pelos fundos. Logo, ele e os atuais caseiros foram até o quarto e acionaram o 190.

 

Posteriormente, equipes da Deam foram até o local, juntamente com a Perícia Criminal. Antes da chegada da polícia ao local, o médico teria ligado para o ex-funcionário e um caseiro para se deslocarem até sua casa. Ao chegarem ao local, o médico pediu que os dois homens colocassem um armário com diversas armas em outro cômodo da casa, o que caracteriza fraude processual.


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