IVINHEMA: Nota de repúdio gera embate entre vereadores durante retorno das sessões da Câmara

Sessão da Câmara de Ivinhema é marcada por debate após nota de repúdio contra vereadora Lucimar Viana


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REDAçãO IVINOTICIAS

Foto: Divulgação
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A primeira sessão ordinária da Câmara Municipal de Ivinhema após o recesso parlamentar, realizada na noite de segunda-feira (03/08), foi marcada por um amplo debate envolvendo a nota de repúdio emitida pelo Legislativo contra a vereadora Lucimar Viana (MDB). O tema dominou grande parte dos pronunciamentos na tribuna e mobilizou praticamente todos os vereadores presentes.

 

A polêmica teve início durante o recesso, quando a Câmara divulgou um comunicado oficial repudiando uma publicação compartilhada pela parlamentar em suas redes sociais. Segundo a nota, Lucimar teria compartilhado mensagens de seguidores que faziam acusações e utilizavam expressões ofensivas contra os vereadores, insinuando condutas ilícitas e atribuindo adjetivos pejorativos aos parlamentares.

 

No comunicado, a Mesa Diretora afirmou que a Câmara defende a democracia, o respeito ao debate público, a legalidade e a transparência, mas que não compactua com ofensas dirigidas aos vereadores e à instituição, informando ainda que adotaria as medidas cabíveis para resguardar a integridade moral dos membros da Casa.

 

No mesmo dia, Lucimar Viana divulgou uma nota pública afirmando que exerce seu mandato com independência e compromisso com a fiscalização dos atos do Poder Público. A vereadora declarou que não teve a intenção de ofender os colegas nem desrespeitar a Câmara, mas criticou o fato de a nota institucional ter sido publicada sem que ela fosse previamente ouvida ou tivesse oportunidade de apresentar sua versão dos fatos.

 

LUCIMAR PEDE REFLEXÃO E CRITICA FALTA DE DIÁLOGO

 

Ao utilizar a tribuna durante a sessão, Lucimar afirmou que não buscava solidariedade dos colegas, mas sim uma reflexão sobre a condução do episódio.

 

Segundo a vereadora, o que mais a entristeceu não foi a nota de repúdio em si, mas a ausência de diálogo antes da divulgação do comunicado.

 

Ela afirmou que sempre esteve aberta para conversar com os demais parlamentares sobre qualquer assunto relacionado ao Legislativo e lamentou não ter sido procurada antes da exposição pública.

 

Durante o pronunciamento, Lucimar também relembrou episódios em que, segundo ela, foi alvo de ofensas por parte do prefeito em eventos públicos, afirmando ter sido chamada de "verme", "zero à esquerda", "vereadora fuleira" e outros termos pejorativos, sem que houvesse qualquer manifestação institucional da Câmara em sua defesa.

 

A parlamentar ainda ressaltou que exercer oposição não significa ser contra o município, mas cumprir o papel constitucional de fiscalizar os atos da administração pública.

 

Ela também declarou que frequentemente recebe denúncias de moradores que, segundo ela, têm receio de se identificar por medo de represálias, motivo pelo qual continuará exercendo seu mandato de fiscalização.

 

VEREADORES DEFENDEM A POSIÇÃO DA CÂMARA

 

Na sequência dos debates, diversos vereadores utilizaram a tribuna para justificar a emissão da nota de repúdio.

 

O vereador Vagner Polícia afirmou que o compartilhamento da publicação atingiu a honra de todos os parlamentares ao divulgar mensagens que classificavam os vereadores como "comprados" e utilizavam outras expressões ofensivas.

 

Segundo ele, ao compartilhar esse conteúdo, a vereadora acabou endossando as acusações, tornando necessária uma manifestação institucional da Câmara para preservar a imagem do Legislativo.

 

Vagner também defendeu que o papel do vereador é fiscalizar os atos administrativos, contratos, licitações e a aplicação dos recursos públicos, sem transformar divergências políticas em ataques pessoais.

 

LUCIMAR RECONHECE ERRO E PEDE DESCULPAS

 

Nas explicações finais, Lucimar voltou a falar e reconheceu que errou ao compartilhar a publicação.

 

A vereadora pediu desculpas nominalmente aos colegas parlamentares, afirmando que sua intenção não era ofendê-los.

 

Apesar do pedido de desculpas, voltou a lamentar que nenhum vereador tenha procurado conversar com ela antes da divulgação da nota de repúdio.

 

Ela afirmou que, em outras ocasiões, deixou de divulgar críticas e mensagens recebidas contra colegas para preservar a instituição e reforçou que continuará representando denúncias encaminhadas pela população.

 

PARLAMENTARES ACEITAM PEDIDO DE DESCULPAS

 

O vereador Márcio Alves destacou que respeita o direito de qualquer parlamentar exercer oposição, mas afirmou que acusações de corrupção precisam ser acompanhadas de provas.

 

Segundo ele, a Câmara optou por uma postura moderada ao emitir apenas uma nota de repúdio, afirmando que, em outras circunstâncias, poderiam ter sido adotadas medidas judiciais.

 

O vereador Gersinho afirmou ter ficado chateado com a publicação, mas declarou aceitar o pedido de desculpas da vereadora. Para ele, tanto a publicação quanto a forma como o episódio foi conduzido contribuíram para o desgaste entre os parlamentares. Ele defendeu que situações semelhantes sejam resolvidas por meio do diálogo.

 

Já o vereador Eder Chicó também disse aceitar as desculpas de Lucimar, mas afirmou ter ficado profundamente magoado com as insinuações feitas na publicação compartilhada. O parlamentar destacou sua trajetória de trabalho e disse esperar que episódios semelhantes não voltem a acontecer.

 

PRESIDENTE REFORÇA DEFESA DA INSTITUIÇÃO

 

Encerrando as manifestações, o presidente da Câmara, Bira, pediu desculpas à população pelo clima de confronto durante a sessão e afirmou que o papel do Legislativo é discutir projetos e trabalhar pelo desenvolvimento do município.

 

Segundo ele, todos os vereadores têm liberdade para exercer seus mandatos da forma que consideram adequada, inclusive aqueles que fazem oposição ao Executivo.

 

No entanto, o presidente argumentou que a nota de repúdio foi motivada pelo fato de a publicação compartilhada atingir a honra dos dez vereadores da Casa. Bira afirmou que todos os parlamentares são pessoas íntegras e que a Câmara apenas respondeu institucionalmente ao episódio.

 

O presidente também ressaltou que divergências políticas entre a vereadora e o prefeito não devem ser transferidas para o ambiente do Legislativo, defendendo que o respeito entre os parlamentares seja preservado, independentemente das posições políticas.

 

Ao final da sessão, apesar das divergências expostas durante os pronunciamentos, os vereadores demonstraram disposição para encerrar o episódio, com manifestações favoráveis ao diálogo e ao respeito entre os membros da Câmara Municipal.


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