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Campanha sensibiliza população sobre Mal de Alzheimer
CAMPO GRANDE NEWS
É comum que eles esqueçam histórias antigas, onde deixaram os sapatos ou qual o nome daquele parente distante. Com a idade, a memória vai perdendo agilidade e os idosos ganham fama de “esquecidos”. O problema se agrava quando tais lapsos se tornam frequentes e mais intensos, podendo caracterizar o Mal de Alzheimer.
Uma campanha da Abraz (Associação Brasileira de Alzheimer, em Mato Grosso do Sul), UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e CRO (Conselho Regional de Odontologia) está mobilizando a população que passa pela Praça Ary Coelho, no centro de Campo Grande, para os sintomas de quem sofre de Alzheimer, e como a doença muda a rotina.
Um dos alvos é a família, fundamental no acompanhamento desses pacientes e que sofre diretamente os efeitos da doença.
Segundo o professor da UFMS, Gustavo Christofoletti, um mito criado pelo senso comum é que o Alzheimer afeta somente a memória. “A grande questão é a relação entre o mental e o motor. Com o tempo, o paciente de Alzheimer tem mais chances de cair, se machucar, o que representa um sério risco para a pessoa idosa”, esclarece.
Um exemplo citado por Gustavo está no dia-a-dia. “Quando caminhamos pela rua e vemos uma poça d´água, logo desviamos. Mas o paciente com Alzheimer, ou que esteja desenvolvendo a doença, não reconhece esse perigo, e pode cair e se molhar”, explica o fisioterapeuta.
Para perceber o sintoma do Alzheimer, é preciso atenção. “Esquecer a chave em cima da mesa não significa, necessariamente, que a pessoa sofre de Alzheimer. Mas guardar a chave na geladeira pode ser interpretado como um alerta”, esclarece Gustavo, que acrescenta que a doença não tem cura ou prevenção.
“É genético. Se há casos na família, é possível adiar os sintomas, mas os tratamentos e as pesquisas têm avançado muito, oferecendo manutenção da capacidade motora e mais qualidade de vida”, diz o professor.
A dica é exercitar o cérebro, fazendo pequenos cálculos mentais, palavras cruzadas e memorizar números de telefone.
Exercício mental - No estande foram apresentados jogos com objetos para serem desmontados, como chaves presas e blocos de madeira ligados por cordas. As pessoas puderam avaliar a memória e realizar testes de equilíbrio parado e em movimento.
O casal Odalírio Pereira da Silva, de 65 anos, e Margarete dos Santos Pereira da Silva, de 50 anos, resolveu avaliar a memória como precaução. “Tenho a memória boa, mas de vez em quando esqueço a chave ou uma panela no fogo. Nada muito perigoso”, acredita a senhora.
O marido gosta de leitura e acredita estar melhor que os jovens. “Esses meninos não lembram de nada. Só sabem ficar em computador e não descobrem como ler um livro é gostoso”, comenta Odalírio.
Família - A geógrafa Margareth Pacheco, de 43 anos, fez os testes cognitivos que estavam disponíveis no estande e conta que o motivo que a fez parar a rotina no sábado é o histórico familiar.
“Meu pai tem Alzheimer há cerca de 2 anos. Hoje ele tem 90 e quando começou achamos que fosse o esquecimento normal da idade. Mas aí ele se perdia na vizinhança, não lembrava nome de parentes, e ao fazer a avaliação foi constatado”, conta Margareth.
A geógrafa diz ainda que os jogos propostos para que a mente se exercite são interessantes. “Mas meu pai, foi criado em outra época, gosta de mexer na terra, é difícil querer convencê-lo a memorizar números de telefone ou fazer palavras cruzadas”.
Serviço – Na próxima terça-feira é lembrado como Dia de Combate ao Alzheimer. Neste dia, será realizada mesa redonda com profissionais da saúde na sede do CRO-MS, a partir das 19h30.
A UFMS realiza avaliação e tratamento de pacientes com Alzheimer. Mais informações no telefone 3345-7832.










