Privilégio, emoção e indiferença


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Somos privilegiados. No último fim de semana, o esporteviveu mais um daqueles grandes momentos, que ficarão marcados por muito tempona memória dos fãs. A primeira vitória de Sebastian Vettel pela Ferrari, no GPda Malásia foi sensacional pelo contexto esportivo, é claro, mas também peloemocional. Essa é a diferença do esporte: a capacidade de emocionar.


Era a realização de um sonho de criança. Um tetracampeão daFórmula 1, um dos maiores vencedores de todos os tempos, atrás nos númerosapenas de Michael Schumacher e Juan Manuel Fangio. Vettel era umtifoso nopódio. Um fã da Ferrari que deu uma alegria a milhares de fãs da Scuderia. Orádio após a bandeirada, os gritos, o choro no pódio, a regência do hinoitaliano. Impossível não ficar tocado. Emoção à flor da pele.


Os jornais do dia seguinte provaram isso na Europa. Como erade se esperar, a imprensa italiana dedicou a maior parte de seus cadernos deesporte ao triunfo ferrarista. A alemã também, mas por causa de SebastianVettel. O que me surpreendeu, entretanto, foi a capa doLEquipe, maistradicional jornal de esportes da França(imagem ao lado). Em dia de vitória daseleção nacional de futebol (2 x 0 sobre a Dinamarca) e de Valentino Rossi naMotoGP, o grande destaque da capa era Vettel e a Ferrari. Ou seja: um jornal deum país que nada tem a ver com os envolvidos na notícia deu destaque a um dosgrandes momentos do esporte. Taí a real dimensão do que aconteceu na F-1 nodomingo passado.


Enquanto isso, aqui no Brasil, não vimos nada além do quenotas de rodapé nos veículos impressos. Os online deram destaque no dia dacorrida. E só. Claro que entendo o fato de por não termos brasileirosenvolvidos na notícia, o destaque ser menor. Mas é triste constatar a poucaimportância que momentos como esses, muito relevantes na história do esporte (edigo como um todo, não apenas do automobilismo), têm para o público brasileiro.


Tenho uma constatação na minha cabeça há tempos. Brasileironão gosta de esporte. Gosta de vencer. Se não ganhar, não presta. Se forestrangeiro, não serve. E são casos como esse que só corroboram esse meupensamento. Espero estar vivo para ver a mudança desse paradigma aqui noBrasil. Mas não acredito, sinceramente. Muito triste, meus caros.


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