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Publicado em: 12/01/2018 às 15h08

Médico chama mulher de 'bola', descarta triagem e faz diagnóstico baseado na aparência


topmidianews

Foto: Arquivo Pessoal

Uma usuária do sistema municipal de saúde denuncia um caso de preconceito envolvendo gordofobia durante atendimento na noite desta quinta-feira (11), na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Leblon, em Campo Grande. Segundo ela, um médico descartou a análise da triagem e diagnosticou a paciente baseado apenas em sua aparência, a chamando de “bola”.

 

A cientista social Graziele Soares relatou que, na tarde desta quinta-feira (11), estava com dores na região dos rins e se dirigiu até a UPA por volta das 19h. A enfermeira, durante a triagem, a diagnosticou com possível cálculo renal, infecção e dor de garganta.

 

Após esperar três horas para ser atendida, ela relata que o médico fez o diagnóstico pré-julgando a sua aparência, solicitando um exame de glicemia, pois ela estaria com diabetes por ter ganho bastante peso. “Eu respondi que não tinha. Que fazia controle. Que estava fazendo dieta e já havia perdido 28 quilos”, relata.

 

Foi então que o médico da unidade a ofendeu e disse: "‘meu Deus! Então, se você perdeu 28 quilos, você era uma bola'”, contou Graziele. Em seguida o profissional desconsiderou o diagnóstico da triagem, receitou o exame de glicemia e 50 gotas de dipirona. “Em nenhum momento a triagem identificou sintomas de diabetes. Fiquei super ofendida. Olhou na minha cara e, por eu ser gordinha, achou que eu fosse diabética”, disse. 

 

O que diz a Sesau

 

Em resposta, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) afirmou que orientação é de que a paciente formalize sua denúncia na Ouvidoria SUS através da 3314-9955 para que as medidas cabíveis sejam tomadas e um processo administrativo seja instaurado para avaliar a conduta do médico em questão. A paciente pode procurar o Conselho Regional de Medicina (CRM) e ou até mesmo registrar um Boletim de Ocorrência junto à Polícia Civil.

 

"Reforçamos que a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) não pactua com conduta irregular de qualquer profissional e tem trabalhado, através de capacitações, para melhorar o acolhimento ao paciente, principalmente nas unidades de urgência", informa a prefeitura.