MS
Após 84 dias, sargento identificado por ‘ter bigode’ durante abordagem truculenta é solto em MS
Um outro sargento envolvido na mesma ação, ganhará liberdade. Ambos estavam presos desde o dia 6 de abril
MIDIAMAX
A expectativa é que o sargento da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) preso desde abril, após ser reconhecido por “ter bigode” e ser apontado como suspeito de envolvimento em uma abordagem truculenta, seja solto durante a tarde desta quarta-feira (24), do PME (Presídio Militar Estadual), em Campo Grande. Um outro militar, também com a patente de sargento – envolvido no mesmo processo – será solto.
O sargento “de bigode” foi apontado como suspeito de ter participado de uma abordagem truculenta do TOR (Tático Ostensivo Rodoviário) em Ponta Porã, a 295 km de Campo Grande, no dia 18 de setembro do ano passado. Na ocasião, o abordado era um servidor público de Brasília (DF).
O servidor teria vindo a MS na tentativa de “recuperar um maquinário que havia sido furtado no DF”. No entanto, durante o retorno, foi abordado pela equipe. Assim, ele relata que os policiais teriam mandado que ele saísse do veículo e se ajoelhasse, inclusive colocando uma arma em sua cabeça.
Além disso, eles teriam dito para o homem abrir os braços e disparado na direção da mão dele. Ao retornar para o seu estado de origem, cerca de 16 dias após a abordagem, o homem conseguiu denunciar a ação na Corregedoria da PMMS. A partir daí, foi aberto um inquérito para apurar a denúncia.
Durante as investigações, quatro militares foram identificados, mas, até então, o nome do sargento preso atualmente não teria sido mencionado no processo. Por falta de provas concretas, o MPMS solicitou o arquivamento do caso.
No entanto, o processo ganhou novos caminhos. Isso porque, após o arquivamento, o servidor teria recebido algumas mensagens ameaçadoras. Com isso, o processo foi reaberto e dois sargentos foram presos. Entretanto, segundo a Aspra (Associação de Praças da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul), um deles não faz parte da equipe investigada.
Após cerca de 84 dias preso no Presídio Militar em Campo Grande e também após ter escrito uma representação a próprio punho para o CNMP (Conselho do Ministério Público) para apurar a conduta do membro do MPMS responsável pelo caso, o sargento “do bigode” ganhará liberdade.
Além do sargento reconhecido pelo “bigode”, um outro militar, também com patente de sargento, preso na mesma ação, envolvido na abordagem, ganhará liberdade. Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, ele não utilizou tornozeleira eletrônica.
Sargento abre denúncia ao CNMP
Preso há cerca de 30 dias, o sargento escreveu uma representação a próprio punho para o CNMP por possível irregularidade funcional de membro do MPMS. Na representação, o militar cita que não possui vínculo algum com o processo.
Ele aproveita para esclarecer que não teria participado da ocorrência que originalizou a denúncia; além disso, afirma que não integrava a equipe policial envolvida e estava em local diverso do momento dos fatos.
Em determinado trecho, ele aponta que o caso foi apurado e investigado pelo IPM (Inquérito Policial Militar); e, também, que estava sob responsabilidade do Gaeco/Gacep. “O que reforça que havia mais de uma frente investigativa apta à coleta de elementos probatórios”, diz trecho da representação.
O sargento voltou a mencionar que o reconhecimento da sua identidade foi apenas devido ao uso do bigode. “Houve apenas menção genérica à característica ‘bigode’, sendo eu o único com tal característica entre os apresentados”, mencionou.
Ainda, é citado que, durante a realização por videoconferência, novamente ele não teria sido reconhecido pelo denunciante. O sargento mencionou que a defesa havia solicitado a realização de algumas diligências consideradas relevantes para o esclarecimento dos fatos.
“Tais diligências tinham como finalidade demonstrar a ausência de qualquer vínculo entre o representante e os fatos investigados. Contudo, embora ciente dos pedidos defensivos, não houve providências no sentido de aprofundar a investigação desses elementos.”
Com isso, ele pede a apuração do membro do Ministério Público responsável pelo caso, além da verificação de eventual responsabilidade funcional e, por fim, a adoção de medidas cabíveis.











